Uma portaria do Ministério da Saúde, publicada, nesta quinta-feira (12), no Diário Oficial da União, aprovou o plano de ação da Bahia no Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE). O investimento será de mais de R$ 113 milhões.
O objetivo central é oferecer um atendimento integrado e eficiente, desde a consulta inicial até o diagnóstico especializado, priorizando áreas críticas como oncologia, cardiologia e ortopedia. Além disso, a implementação de tecnologias como a teleconsulta e teleconsultoria será um eixo fundamental para reduzir deslocamentos e facilitar o acesso a tratamentos.
O investimento faz parte de uma iniciativa maior, que inclui um financiamento adicional de R$ 2,4 bilhões para todo o programa em 2025, conforme apresentado recentemente no Fórum Nacional de Governadores. O programa nacional irá usar como inspiração as Policlínicas Regionais da Bahia. O estado, que já conta com 26 unidades em funcionamento e mais de 7 milhões de atendimentos realizados,
“Esses recursos são fundamentais para reduzir filas e garantir diagnósticos mais ágeis e precisos. O Programa Mais Acesso a Especialistas reforça o compromisso do governo em oferecer uma saúde pública de qualidade, ampliando o alcance do SUS em nosso estado”, afirmou a secretária da Saúde do Estado da Bahia, Roberta Santana.
Redação
BC faz alta de juros mais agressiva e eleva Selic em 1 ponto, a 12,25% ao ano
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (11), em seu último encontro de 2024, fazer uma alta de juros mais agressiva e elevou a taxa básica (Selic) em 1 ponto percentual, de 11,25% para 12,25% ao ano. A decisão foi unânime.
No comunicado, o colegiado do BC antecipou um choque de juros, prevendo mais dois aumentos de mesma intensidade nas próximas reuniões, de janeiro e março, o que levaria os juros a 14,25% ao ano.
“Diante de um cenário mais adverso para a convergência da inflação, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, ajustes de mesma magnitude nas próximas duas reuniões”, disse.
A decisão marca a despedida de Roberto Campos Neto do comando do colegiado do BC. A partir de janeiro de 2025, o posto será ocupado por Gabriel Galípolo –nome de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Copom voltará a se reunir nos dias 28 e 29 de janeiro, com a estreia de três novos integrantes –diretores Nilton David (Política Monetária), Gilneu Vivan (Regulação) e Izabela Correa (Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta). A partir do ano que vem, o comitê terá maioria dos representantes indicados por Lula, com sete dos nove membros.
A aceleração do ritmo de alta da Selic era esperada pelo mercado financeiro. Mas, segundo levantamento feito pela Bloomberg, a maioria dos economistas consultados projetava uma elevação de 0,75 ponto, enquanto a parcela minoritária apostava em um aumento de 1 ponto percentual.
O ciclo de alta de juros teve início em setembro, quando o comitê optou por um movimento mais gradual, de elevação da Selic de 0,25 ponto percentual (a primeira no governo Lula 3). No último encontro, em novembro, o colegiado acelerou o passo pela primeira vez, com um aumento de 0,5 ponto na taxa básica.
Com a terceira alta seguida, os juros se igualam ao mesmo patamar de 13 de dezembro do ano passado, quando a Selic estava em 12,25%. Na época, contudo, a taxa básica seguia trajetória em direção oposta, com o processo de flexibilização de juros em curso.
Nas últimas semanas, os agentes econômicos passaram a apostar na necessidade de um choque ainda maior de juros em meio à piora adicional das expectativas de inflação.
A onda de revisões refletiu a frustração dos agentes econômicos com o pacote de contenção de despesas apresentado pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda), a disparada do dólar, que rompeu a barreira dos R$ 6, e a nova demonstração de força do PIB (Produto Interno Bruto).
Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostraram que a economia brasileira cresceu 0,9% no terceiro trimestre e que a inflação, no acumulado de 12 meses, ganhou força e acelerou a 4,87% até novembro.
Segundo o último boletim Focus, os analistas já projetam que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fique acima do teto da meta neste ano e também em 2025 –4,84% e 4,59%, respectivamente. Para 2026, a estimativa subiu para 4%.
O alvo central perseguido pelo BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que a meta é considerada cumprida se oscilar entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto).
O BC trabalha agora com a inflação do 2º trimestre de 2026 na mira, conforme o sistema de meta contínua, devido aos efeitos defasados da política monetária sobre a economia.
Se a projeção de estouro da inflação deste ano se confirmar, Galípolo será obrigado a escrever uma carta aberta a Haddad logo após assumir o comando do BC.
Na sessão ordinária desta terça-feira (10) da Câmara Municipal de Salvador, o vereador Edvaldo Brito (PSD) agradeceu a todos os pares pela homenagem que recebeu da Casa, em sessão especial ocorrida no dia 2 deste mês, por iniciativa do vereador Alexandre Aleluia (PL). Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente Carlos Muniz (PSDB).
“Estou muito emocionado e não estou me despedindo da Câmara, pois aceito o convite do presidente Carlos Muniz para continuar colaborando com esta Casa”, afirmou Edvaldo Brito. Ele fez questão de citar os nomes dos colegas que compareceram à sessão, retribuindo com palavras de respeito e gratidão.
O colega Ricardo Almeida (DC) destacou a relevância do legado deixado pelo vereador Edvaldo Brito, tanto na Câmara quanto para a cidade, e frisou que foi uma honra participar da sessão especial em sua homenagem, que contou com as presenças do prefeito Bruno Reis e da vice-prefeita Ana Paula Matos.
A celebração do Natal em Salvador, com investimentos em iluminação alusiva à festa, foi mencionada pelo vereador Claudio Tinoco (União). “A Prefeitura tem investido no espírito natalino, valorizando o Centro Antigo e os bairros populares”, afirmou Tinoco.
A vereadora Marta Rodrigues (PT) destacou a celebração da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ela lembrou que a data foi criada em 10 de dezembro de 1950 pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Temos muito caminho ainda para percorrer quando o assunto é direitos humanos”, afirmou Marta.
A vereadora Débora Santana (PDT) também se pronunciou sobre a data, adotando um tom de denúncia. A parlamentar lembrou da denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT) da Bahia, que abriu um inquérito para investigar as condições de saúde e segurança dos funcionários da planta da BYD, empresa de carros elétricos chineses, em Camaçari.
Ainda na sessão ordinária, o vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB) registrou as manifestações das centrais sindicais, em todo o Brasil, contra a escala de trabalho 6×1, descrita como bastante desumana e prejudicial ao convívio familiar.
A maioria dos entrevistados da pesquisa Genial/ Quaest divulgada, nesta quarta-feira (11), acredita que o terceiro mandato do governo Lula está sendo o pior em relação as duas gestões anteriores do petista.
O percentual que avalia o governo Lula como pior que as duas gestões anteriores dele é de 41% dos entrevistados, 35% disseram ser melhor que os anteriores, e 19%, igual. 5% não responderam ou não sabiam.
Os que aprovam o trabalho que o presidente Lula está fazendo são 52% dos entrevistados, já 47% disseram desaprovar. Em comparação à pesquisa anterior, divulgada no mês de outubro não houve grande variação, quando a aprovação era de 51%, e a reprovação, de 45%. A margem de erro é de um ponto percentual.
A aprovação do trabalho do presidente é maior na região Nordeste, onde Lula caiu de 69% para 67%. Os estados da Bahia e Pernambuco, onde historicamente Lula tem taxas mais altas de aprovação, caíram de 69% para 66% e 73% para 65%, respectivamente.
O levantamento ouviu 8.598 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 4 e 9 de dezembro. O índice de confiança é de 95%. Os questionários foram aplicados pessoalmente, em 120 municípios, nas cinco regiões do Brasil. Dados disponibilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), da PNADC/IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Censo 2022 também foram levados em consideração.
Donald Trump repete título e é escolhido pela revista Time como Pessoa do Ano de 2024
A revista Time escolheu nesta quinta-feira (12) Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos,como Pessoa do Ano de 2024. A publicação escolhe todos os anos alguém que tenha se destacado, seja positiva ou negativamente.
Esta é a segunda vez que Trump é reconhecido como a personalidade do ano pela Time. Ele havia recebido o título em 2016 quando também ganhou as eleições daquele ano. Três anos antes, em 2013, o republicano zombou da lista e afirmou que se trata da “proeza de uma revista que em breve estará morta”.
A escolha deste ano resultou do que a revista chamou de um impressionante retorno político. Segundo a Time, sua vitória na eleição presidencial é histórica em diversos aspectos. Isso porque Trump será o presidente mais velho dos Estados Unidos e a primeira pessoa condenada a ser eleita para comandar a Casa Branca.
O republicano foi condenado por 34 acusações de fraude no caso em que teria comprado o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels. Trump conseguiu a vitória este ano não só no Colégio Eleitoral, mas também no voto popular, e conquistou maioria para o seu partido na Câmara e no Senado.
Seu retorno ocorre após uma saída tumultuada do poder, em 2021, quando ele se recusou a reconhecer a derrota para Joe Biden. O discurso de Trump com acusações de fraude no pleito de 2020 culminou na invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, que terminou com ao menos cinco mortes.
O republicano também enfrentou dois processos de impeachment e foi alvo de uma série de ações na Justiça, inclusive por ter tentado reverter o resultado das eleições. Parte das ações está sendo arquivada depois de ele ter sido eleito.
Outros nove nomes haviam sido divulgados pela Time como candidatos ao título deste ano: a vice-presidente Kamala Harris; a princesa de Gales e esposa do príncipe William, do Reino Unido, Kate Middleton; o bilionário Elon Musk; a viúva do opositor russo Alexei Navalni, Iulia Navalnaia; o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu; o presidente do FED, o banco central americano, Jerome Powell, podcaster e guru da direita americana, Joe Rogan; a presidente do México, Claudia Sheinbaum; e do dono da Meta, Mark Zuckerberg.
Em 2023, o título foi dado à cantora Taylor Swift, que fez campanha para Kamala Harris, adversária de Trump. Em 2022, o veículo escolheu o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. O que a publicação chamou de “espírito da Ucrânia” também recebeu as honras, um aceno à resiliência do país invadido pela Rússia.
No ano anterior, o título foi concedido a Elon Musk, hoje fiel escudeiro de Trump.
OS ÚLTIMOS ESCOLHIDOS PARA PESSOA DO ANO DA TIME
2023: Taylor Swift
2022: Volodimir Zelenski
2021: Elon Musk
2020: Joe Biden e Kamala Harris
2019: Greta Thunberg
2018: ‘Os guardiões’ (jornalistas perseguidos)
2017: Movimento contra o assédio
2016: Donald Trump
2015: Angela Merkel
2014: Equipes que combateram o vírus ebola
2013: Papa Francisco
2012: Barack Obama
2011: ‘O manifestante’ (pessoas que protestaram contra líderes autoritários, como na Primavera Árabe)
2010: Mark Zuckerberg
Poucas peças devem ser modificadas no primeiro escalão do segundo mandato do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), que iniciará no dia 1º de janeiro. As alterações vão contemplar apenas dois vereadores, conforme apuração do Portal A TARDE.
Uma das mudanças diz respeito à Secretaria Municipal da Cultura e Turismo (Secult), atualmente comandada pelo empresário Pedro Tourinho, como já anunciada pelo chefe do Executivo municipal.
O posto em aberto deve ser ocupado pelo vereador Duda Sanches (União Brasil), que já sinalizou ao gestor municipal a vontade de ocupar um cargo no secretariado.
“Hoje me sinto, de certa forma, mais preparado ainda e com condições de tocar um projeto no Executivo com mais longevidade, com mais tempo com possibilidade de implantar, ter uma ideia e maturar esse projeto sentado numa cadeira de secretário. Meu nome está à disposição e o prefeito sabe disso”, disse Duda, em entrevista exclusiva ao A TARDE.
Interlocutores do governo afirmam que as conversas entre Duda e Bruno já caminham para um possível consenso. Internamente, também se especula o nome da vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) para o posto.
Pensando na acomodação do aliado, o prefeito encaminhou à Câmara Municipal de Salvador (CMS) um projeto de lei que altera a estrutura dos cargos comissionados nas pastas. A proposta autoriza a criação de 14 novas funções comissionadas e oito cargos de confiança na Cultura.
A eventual saída do político do União Brasil do Legislativo, por sua vez, abre espaço para a entrada do primeiro suplente do partido, Palhinha, que obteve 8.564 votos nas eleições passadas. O retorno do político à Casa tem o aval do próprio gestor municipal e do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União).
Outra baixa na CMS será a do vereador Luiz Carlos (Republicanos), segundo mais votado no pleito do dia 6 de outubro, com 19.358 votos. Ele deve voltar a ocupar a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), pasta já comandada há muito tempo pelo Republicanos.
Sendo assim, quem assume a cadeira deixada pelo edil é o suplente Beca, que terminou com 7.642 votos no último pleito.
Informações chegadas ao A TARDE dão conta de que o prefeito Bruno Reis (União Brasil) deve bater o martelo sobre a reforma até a próxima semana.
Justiça torna Caiado inelegível por abuso de poder político nas eleições municipais
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) condenou o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) por abuso de poder político nas eleições municipais de 2020, determinando sua inelegibilidade por oito anos. Caiado foi acusado de usar o Palácio das Esmeraldas para promover eventos de campanha para seu candidato à prefeitura de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil). A juíza Maria Umbelina Zorzetti também determinou a cassação de Mabel e sua vice, Coronel Cláudia (Avante).
A decisão, baseada em jantares realizados entre 7 e 9 de outubro, após o primeiro turno, aponta que os eventos tiveram cunho eleitoral, com uso de recursos públicos, incluindo materiais do governo, alimentos, bebidas e servidores para a organização. Caiado e Mabel negam irregularidades, alegando que os encontros foram reuniões institucionais. O processo ainda cabe recurso, mas o prefeito eleito pode tomar posse normalmente.
O caso foi motivado por uma ação de Fred Rodrigues (PL), que contestou a legitimidade da eleição de Mabel e Cláudia, alegando desequilíbrio na disputa. Caiado e Mabel ainda podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral.
“Super estável”, atualiza equipe médica de Lula após 2º procedimento
A equipe médica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atualizou, na manhã desta quinta-feira, 12, o seu quadro clínico após mais um procedimento realizado na manhã de hoje, no Hospital Sírio-Libanês. Em coletiva de imprensa, o chefe do grupo, doutor Roberto Kalil, tranquilizou as pessoas e disse que o líder petista está “super estável”.
Na conversa, Kalil detalhou que Lula realizou uma nova cirurgia complementar e que ocorreu tudo bem.
“O presidente foi submetido a uma drenagem, a evolução foi muito boa e nos dois dias subsequentes foi discutido um procedimento complementar, que foi feito hoje às 7h com sucesso. Foi um complemento”, disse, acrescentando que nenhuma função neurológica do mandatário foi afetada.
O médico também ressaltou que o presidente está bem e que o prazo para a volta aos trabalhos em Brasília não será adiado.
“O presidente está acordado, está comendo e está super estável. Isso não atrasará a programação dos próximos dias, que depende da evolução do presidente e deverá ter alta no começo da próxima semana”, afirmou.
O petista precisou ser operado com urgência, na noite da última segunda-feira, 9, em São Paulo, depois que uma ressonância magnética mostrou uma “hemorragia intracraniana, decorrente do acidente domiciliar sofrido em 19/10”, informou o Hospital Sírio-Libanês em um boletim médico.
Após o procedimento realizado na segunda, o presidente evoluiu bem.
Na última coletiva, Roberto explicou também que após sentir dor de cabeça, o presidente foi submetido a uma ressonância magnética e um novo sangramento na região do cérebro foi detectado. Com isso, a equipe médica optou por um procedimento cirúrgico, “para drenagem do hematoma do sangramento do cérebro”.
Procedimento preventivo
Conforme explicou o médico responsável pelo processo cirúrgico, Dr. Rogério Tuma, o segundo processo foi feito de maneira preventiva para evitar que o hematoma volte a evoluir de forma negativa.
“O tratamento da coleção foi feito anteriormente, que é a drenagem, só que essa coleção tem uma cápsula, uma membrana, que se forma do processo inflamatório e é feita também pelas folhas da meninge com a drenagem, este está tratado. O procedimento [realizado hoje] foi em caráter preventivo, para que essa coleção não ocorra novamente, como dito antes, ela foi absorvida e nos últimos dias cresceu e por isso que fizemos a drenagem, agora a gente considerou como uma recorrência da coleção”, detalhou.
Dólar abre em forte queda após choque de juros e anúncio de intervenção cambial do BC
O dólar abriu em forte queda nesta quinta-feira (12), um dia depois do Copom (Comitê de Política Monetária) decidir sobre a taxa básica de juros do país, a Selic.
O comitê do BC (Banco Central) optou por um aumento agressivo de 1 ponto percentual, levando a taxa ao patamar de 12,25% ao ano. A decisão foi unânime. O movimento era esperado por parte do mercado, ainda que uma parcela dos agentes econômicos tenha apostado em um aperto menor, de 0,75 ponto.
Às 9h03, a moeda norte-americana caía 1,25%, cotada a R$ 5,895. Na quarta-feira, caiu 1,27%, cotada a R$ 5,970 –a primeira vez que retornou ao patamar de R$ 5 desde 28 de novembro, quando as disparadas no câmbio tiveram início.
No comunicado, o colegiado do BC antecipou um choque de juros, prevendo mais dois aumentos de mesma intensidade nas próximas reuniões, de janeiro e março, o que levaria os juros a 14,25% ao ano.
“Diante de um cenário mais adverso para a convergência da inflação, o comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, ajustes de mesma magnitude nas próximas duas reuniões”, disse.
A decisão marca a despedida de Roberto Campos Neto do comando do colegiado do BC. A partir de janeiro de 2025, o posto será ocupado por Gabriel Galípolo nome de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A aceleração do ritmo de alta da Selic era esperada pelo mercado financeiro. Mas, segundo levantamento feito pela Bloomberg, a maioria dos economistas consultados projetava uma elevação de 0,75 ponto, enquanto a parcela minoritária apostava em um aumento de 1 ponto percentual.
“É um belo choque, um belo aperto monetário. O mercado vinha preocupado com a atuação do BC, temendo que ele pudesse ser mais contido. Mas ele atuou na conta-erro que foi deixada em aberto pela má atuação do governo na questão fiscal. O ajuste se dará pelos juros. Não fosse o caso, se daria no câmbio e na inflação, o que seria muito pior para a economia no longo prazo”, avalia Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
O especialista ainda pontua que o movimento afasta incertezas em torno de Galípolo, que, para alguns agentes do mercado, poderia ser mais leniente em relação à inflação por causa da proximidade com o governo Lula, crítico à alta de juros. Antes de ser diretor do BC, Galípolo era número 2 do ministro Fernando Haddad na Fazenda.
“Galípolo contrata para si mais duas altas da mesma magnitude. Isso é super importante para ancorar as expectativas em torno da conduta dele.”
O BC ainda anunciou, à noite, que fará uma nova intervenção no câmbio nesta quinta pela manhã, com a realização de dois leilões de dólares com oferta total de US$ 4 bilhões.
Essa modalidade é chamada de leilão de linha, quando o BC vende reservas internacionais no mercado à vista, mas com o compromisso de recompra em um prazo determinado.
Serão aceitos no máximo US$ 2 bilhões para cada uma das ofertas. As propostas para o leilão da “linha A” serão acolhidas entre 10h20 e 10h25, e o BC prevê como data de recompra o dia 4 de fevereiro de 2025. Já o leilão da “linha B”, que terá as propostas acolhidas entre 10h35 e 10h40, tem 2 de abril de 2025 como prazo de recompra.
Os movimentos do BC são, em tese, positivos para o real. Quanto maior a Selic e menor a taxa dos Estados Unidos em queda desde setembro, mais atraente fica a moeda brasileira por conta do diferencial de juros.
Já os leilões do BC injetam mais dólares no mercado, o que, pela lei da oferta e demanda, tende a abaixar a cotação da moeda.
“Contudo, vale destacar que temos outros fatores em jogo, como a questão fiscal e agora a saúde do presidente [Lula] que podem trazer volatilidade aí para os ativos brasileiros”, pondera Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.
O presidente passou por um novo procedimento médico nesta quinta-feira para interromper o fluxo de sangue em uma região de seu cérebro. O objetivo é impedir novos sangramentos como o que ele sofreu nesta semana.
“[O procedimento foi realizado] com sucesso”, limitou-se a dizer o cardiologista Roberto Kalil, médico do petista. Segundo ele, o procedimento durou cerca de uma hora, Lula está acordado e conversando, e às 10h os médicos da equipe irão apresentar mais detalhes à imprensa.
Segundo analistas de mercado, o anúncio da intervenção levou o dólar a despencar na véspera.
A moeda norte-americana já estava em retração, cotada a R$ 6,014, com expectativas sobre o Copom. A notícia sobre Lula foi veiculada às 16h27, e a divisa imediatamente aprofundou a queda para 2%, atingindo a mínima de R$ 5,950, às 16h35.
Com isso, o real teve o melhor desempenho em relação às principais moedas do mundo nesta sessão.
A reação também apareceu na Bolsa, que subiu mais de 2% na esteira da notícia. Ao fim do pregão, o Ibovespa fechou em alta de 1,06%, aos 129.593 pontos.
“Não há outra explicação para este movimento, mesmo com [a reunião do] Copom. O mercado começa a especular que o pacote de corte de gastos pode ser aprovado com o Lula afastado. Se o Alckmin fica no lugar dele, fica mais fácil de liberar esse pacote. Além disso, se discute quanto tempo o vice ficaria na presidência”, diz Vanei Nagem, sócio-diretor da Pronto Invest.
De acordo com especialistas, esse movimento é chamado de automático, como um reflexo praticamente automático dos negociadores com o dólar a um patamar elevado (ontem, a moeda fechou a R$ 6,04).
Nestes casos, não há uma estratégia clara, e o dólar pode voltar a subir novamente. A informação teria sido um gatilho para a realização de lucros após a recente alta de 4% do dólar desde o fim de novembro.
Banqueiros, estrategistas e gestores ainda afirmam que o rebuliço no mercado também se deve à expectativa de que o presidente Lula não terá condições de disputar a reeleição.
Dois banqueiros ouvidos não quiserem comentar abertamente por respeito à situação pessoal do presidente. Disseram, no entanto, que a fragilidade de Lula mobiliza o mercado já na expectativa de que ele não terá condições de sair em campanha, algo que abre espaço para um próximo governo.
Itapema aposta em tecnologia inovadora para erguer prédio mais alto do Brasil
Itapema (SC) — Conhecida pelo crescimento acelerado do mercado imobiliário, a cidade de Itapema entrou definitivamente no mapa da engenharia brasileira ao iniciar a construção do que será o prédio mais alto do Brasil, um projeto que adota tecnologias inovadoras baseadas em estruturas metálicas e sistemas construtivos avançados. A obra marca uma mudança de paradigma na construção civil nacional e reacende o debate sobre modernização, produtividade e qualificação técnica.
A tecnologia empregada, segundo especialistas, já é amplamente utilizada há décadas em países como os Estados Unidos, onde edifícios altos, hospitais, centros comerciais e até residências unifamiliares fazem uso intensivo de estruturas metálicas, pré-fabricação e planejamento digital para reduzir prazos e custos.
Para o técnico em edificações e planejamento Cleone de Araújo Corrêa, fonte técnica da reportagem, o projeto de Itapema é simbólico porque demonstra que o Brasil tem condições de executar obras de alto nível tecnológico — desde que invista de forma consistente em capacitação.
“Esse tipo de construção não é novidade no mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, estruturas metálicas são usadas há muitos anos justamente porque são mais rápidas, mais limpas e mais econômicas no resultado final. O grande desafio do Brasil não é tecnológico, é de capacitação técnica”, afirma Cleone.
Tecnologia que reduz prazo e custo
O uso de estruturas metálicas permite que grande parte da obra seja industrializada, com elementos produzidos fora do canteiro e montados no local com precisão. Isso reduz interferências climáticas, desperdício de material e retrabalho — fatores que historicamente encarecem e atrasam obras no país.
Segundo especialistas ouvidos na reportagem original que baseia esta matéria, a adoção dessa tecnologia também aumenta o controle de qualidade e a previsibilidade do cronograma, ponto crucial em empreendimentos de grande porte. Em mercados mais maduros, o aço estrutural é visto não como custo extra, mas como ferramenta para reduzir o valor global da obra.
Cleone reforça esse ponto ao destacar que o custo deve ser analisado de forma sistêmica.
“Quando você olha apenas o preço do material, pode parecer mais caro. Mas quando analisa prazo, mão de obra, desperdício e manutenção futura, a estrutura metálica se torna mais barata e eficiente”, explica.
Modelo consolidado nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, edifícios residenciais, comerciais e industriais utilizam há décadas sistemas metálicos combinados com planejamento digital, como o BIM (Building Information Modeling). Esse modelo permite simular toda a construção antes do início da obra física, antecipando conflitos e otimizando o uso de materiais.
De acordo com Cleone, esse padrão só se tornou dominante porque houve investimento contínuo em formação técnica.
“O engenheiro, o técnico e o montador precisam falar a mesma linguagem. Lá fora, isso foi construído com cursos, certificações e prática. Aqui, ainda precisamos ampliar muito esse acesso”, avalia.
De obras monumentais a edificações comuns
Um dos pontos centrais da reportagem é que a tecnologia empregada no prédio de Itapema não se limita a obras icônicas. As mesmas soluções podem — e já começam a — ser aplicadas em obras residenciais comuns, como casas e edifícios de médio porte.
“As pessoas associam esse tipo de tecnologia apenas a grandes arranha-céus, mas ela é totalmente viável para residências, escolas e prédios comerciais. O que falta é escala, e a escala só vem com capacitação”, destaca Cleone.
Fontes técnicas do setor da construção civil ouvidas pela reportagem também apontam que a disseminação desse modelo pode ajudar a enfrentar gargalos históricos do setor, como déficit habitacional, baixa produtividade e atrasos crônicos em obras públicas e privadas.
Um sinal de mudança
Ao apostar em tecnologia construtiva avançada para erguer o prédio mais alto do país, Itapema se transforma em vitrine de um novo momento da engenharia brasileira. Para especialistas, o projeto mostra que o Brasil não está atrasado em acesso à tecnologia, mas ainda precisa avançar na formação de profissionais para torná-la regra, e não exceção.
“O futuro da construção civil passa por tecnologia e capacitação. Quando esses dois pontos andam juntos, a obra anda mais rápido, custa menos e entrega mais qualidade”, conclui Cleone.
A experiência de Itapema pode, assim, servir não apenas como marco arquitetônico, mas como referência técnica para um país que precisa construir mais — e melhor — nos próximos anos.