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Emendas parlamentares não têm conexão com política pública, aponta Ipea

por Redação

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre emendas parlamentares concluiu haver “evidência robusta” de influência sobre o voto, mas falta de conexão com áreas de política pública específicas.

A análise foi encomendada pelo deputado federal Eduardo Bandeira de Mello (PSB-RJ), em meio à crise entre Congresso Nacional e STF (Supremo Tribunal Federal) em razão do mecanismo, que deu origem ao chamado orçamento secreto.

O Ipea avalia que as emendas parlamentares foram utilizadas, nos últimos anos, como um instrumento para atender “interesses particulares dos parlamentares”, especificamente voltados a uso eleitoral.

Isso acontece, por um lado, porque o Poder Executivo perdeu controle sobre o mecanismo e, de outro, porque os partidos passaram a controlar as verbas de campanha, “o que pode ter levado parlamentares a intensificarem o uso do gasto por emenda para seus objetivos eleitorais individuais”.

O instituto pondera que na área da Saúde, que concentra grande parte destes recursos, há “evidência pontual” de que o problema seja menos grave, mas, mesmo assim, o direcionamento deste dinheiro não serve para “universalizar a provisão de serviços” do setor.

Na opinião do Ipea, os poucos indícios encontrados de que as emendas tenham algum “efeito positivo na qualidade de vida e na provisão de serviços públicos” são de “qualidade duvidosa”.

“A principal conclusão a que se chega após esta revisão de literatura é que as evidências sobre a política das emendas orçamentárias, a lógica de alocação do gasto por emendas e seus impactos sobre o bem-estar precisam ser atualizadas, de maneira a contemplar o contexto atual, de maior protagonismo do Congresso na execução do orçamento”, finaliza o órgão.

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