A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) foi pega de surpresa pelo apoio público do ex-colega de Câmara Eduardo Bolsonaro à sua eventual indicação como vice na chapa de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo interlocutores.
A sinalização foi feita sem aviso prévio em uma publicação no X (antigo Twitter). Zanatta inclusive estava em agenda no interior quando o fato aconteceu. Apenas depois da postagem Eduardo teria ligado para o advogado Guilherme Colombo, marido da deputada, para comunicar a manifestação de apoio.
Na conversa, da qual a deputada também participou, Eduardo teria afirmado ver nela o perfil ideal para compor a chapa de Flávio: mulher, combativa e bolsonarista raiz.
A conversa animou Zanatta, que agora passou a enxergar com bons olhos o cargo, segundo relatos. Procurado, Flávio afirmou “que não há definição ainda, mas que Júlia é um excelente quadro.”
A defesa de uma mulher na vice de Flávio ganhou força entre aliados diante da dificuldade do senador entre eleitoras. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana, Lula teria vantagem de 10 pontos sobre Flávio no eleitorado geral e de 17 pontos entre as mulheres.
Zanatta foi eleita deputada federal em 2022 com mais de 111 mil votos. Ao longo do mandato, tornou-se uma das vozes mais combativas do bolsonarismo na Câmara.
Em agosto de 2025, participou do motim de deputados bolsonaristas após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, levou a filha, então com quatro meses, para o meio da manifestação que bloqueava o acesso do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), à cadeira da Presidência.
A cena gerou críticas de entidades de defesa da infância. A presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB-SP, Thaís Dantas, afirmou na época que havia indícios de violação do ECA. Motta chegou a sugerir a suspensão do mandato de Zanatta por seis meses; o corregedor da Câmara recomendou apenas censura escrita, e o caso ainda tramita.
Além de Zanatta, outro nome cogitado para a vice de Flávio é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e Ciro Nogueira, do PP, já demonstraram apoio público à senadora.