José Dirceu defende prisão domiciliar para Bolsonaro: “Eu não desejo mal a ninguém, nem a ele”

Prestes a completar 80 anos, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu vem se preparando para, em 2026, se candidatar a deputado federal por São Paulo pela quarta vez.

Em entrevista à BBC News Brasil, o petista revelou que a sua candidatura foi um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que ele pedirá votos como forma de justiça e “reparação”, após ter cumprido prisões pelo caso do mensalão e pela Operação Lava Jato.

“Na verdade, eu tinha uma avaliação de que, quando chegasse aos 80 anos, eu estaria muito mais velho do que estou e que estaria quase aposentado. Como eu não estou nem mais velho nem aposentado…”, disse.

Ainda durante a entrevista, Dirceu defendeu que Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado pelo Supremo e em prisão domiciliar, não tem condições de ir para a prisão comum. Para o petista, o ex-presidente deveria permanecer em casa como acontece com o também ex-presidente condenado Fernando Collor de Mello.

“Acho que, dado o estado de saúde dele, e já que o Fernando Collor está cumprindo prisão em casa […] Acho muito improvável que se possa colocar presos vulneráveis no sistema penitenciário que é controlado pelo crime organizado. As condições são péssimas. E como o estado de saúde dele [Bolsonaro] está se agravando, porque parece que isso é real, eu não vejo como é que ele pode entrar no sistema penitenciário”, afirmou Dirceu.

“Eu não desejo mal a ninguém, nem a ele. Nessas condições, ele sobrevive porque vai ficar em regime domiciliar, com família, com tratamento médico. A família é muito importante”, acrescentou.

“Eu nunca tive relação com Bolsonaro, mas me parece que ele é uma pessoa psicossomática, que vai acelerando, muito instável. Não é uma pessoa que tem autocontrole. Todo mundo sofre na prisão, todo mundo tem depressão, chora, chama a mamãe, reza”, concluiu.

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