O líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) disparou contra o governo Lula (PT) pela alta nos casos de dengue no país, nas redes sociais. Na última quarta-feira (29), o Brasil alcançou o total de 5.477.861 casos prováveis da doença.
“Já pode chamar o atual governo do PT de genocida?”, escreveu no seu perfil do X, antigo Twitter.
Na ocasião, Marinho publicou uma reportagem que mostra que o Brasil é responsável por quase 90% dos casos de dengue no mundo, quando fez as críticas ao atual governo.
junho 2024
Lançamento de pré-candidatura une desafetos de ACM Neto em mesmo local
A oficialização da pré-candidatura de Bruno Reis a prefeito de Salvador, na tarde desta segunda-feira (3), reuniu dois adversário de ACM Neto, vice-presidente do União.
Além de criador e criatura, estiveram presentes ao ato presidentes de partidos, a exemplo de Félix Mendonça(PDT) e João Roma (PL).
Neto e o pedetista entraram em rota de colisão quando Débora Regis, pré-candidato a prefeita de Lauro de Freitas, abandonou o PDT e migrou pro União no prazo final de filiações. Neto nega que tenha feito o movimento para tirar Débora das fileiras pedetistas. Félix nunca acreditou no argumento.
A treta envolvendo Roma e o vice-presidente do União é mais antiga. O presidente do PL baiano abandonou a liderança de Neto para ser homem forte do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foi ministro da Cidadania a contragosto de ACM Neto. Depois disso – embora compadres -, as trocas de farpas foram cada vez mais frequentes. Roma foi, inclusive, o adversário mais ferroz do ex-prefeito nas eleições de 2022.
Com claques de vereadores, o prefeito Bruno Reis anunciou que vai disputar a reeleição. A tarde também serviu para que ele anunciasse a permanência de Ana Paula Matos como vice. Ela deve deixar a secretaria de Saúde na quarta.
Pela segunda vez no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ministra Cármen Lúcia tomou posse na noite desta segunda-feira, 3, para assumir a presidência da Corte. Em discurso, a magistrada exaltou o seu antecessor Alexandre de Moraes e garantiu ainda mais rigidez no combate às fakes news.
“A atuação deste grande ministro foi determinante para a realização de eleições seguras, sérias, e transparentes num momento de grande perturbação provocada pela atuação de antidemocratas que buscaram quebrantar os pilares republicanos dos últimos 40 anos”, disse Lúcia sobre o colega.
Já sobre as mentiras disseminadas através das redes sociais, a ministra endureceu o tom e afirmou que podem ser consideradas como um “desaforo tirânico contra a integridade das democracias”. “[A mentira nas redes] é um instrumento de covardes e egoístas”, emendou.
No ato da sua posse, a magistrada ainda colocou como prioridade a severidade na aplicação de punições para quem semeia fake news nas redes sociais e prometeu arrochar a fiscalização contra o discurso de ódio.
“O algoritmo do ódio, invisível e presente, senta-se à mesa de todos. É preciso ter em mente que ódio e violência não são gratuitos”, acrescentou.
Cármen Lúcia já sentou na cadeira do TSE em 2012, quando realizou a sua primeira passagem na Corte Eleitoral. Com a saída de Moraes, nesta noite, a ministra também passa a assumir o comando da organização das eleições municipais, que serão disputadas no dia 6 de outubro. A ministra presidirá o TSE até meados de 2026, quando passará o bastão para o ministro Nunes Marques, sucessor natural de Lúcia. Atualmente, ele comanda a vice-presidência.
A mudança de cargo da magistrada abre espaço para a entrada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que assume a vaga de membro deixada na Corte por Alexandre de Moraes.
Bruno Reis anuncia pré-candidatura à reeleição e confirma Ana Paula como vice
A pouco mais de cinco meses para as eleições municipais, o prefeito Bruno Reis (União) confirmou sua pré-candidatura à reeleição em evento nesta segunda-feira (3). O lançamento aconteceu no Quality Hotel & Suítes São Salvador, no Stiep, e contou também com o anúncio da secretária de Saúde Ana Paula Matos (PDT) como nome a ocupar a função de vice na chapa.
Até então, Bruno não confirmava sua pré-candidatura, mas agora alega que, após ouvir sua base política, tomou a decisão sobre as eleições. O evento contou com a presença do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), do ex-ministro João Roma (PL) e do líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia, Alan Sanches (União Brasil), além de outros representantes da base aliada do prefeito.
Em seu discurso, Bruno Reis relembrou desafiantes enquanto gestor municipal, como a pandemia da covid-19. “Nós não podemos admitir que a nossa cidade possa recuar. Retroceder? Jamais! Nós vamos avançar, nós vamos seguir pra frente, crescendo cada vez mais”, disse o prefeito.
Já sobre o nome que ocupará a figura de seu vice neste pleito, Bruno afirmou que todos os partidos tinham a legitimidade para apresentar uma opção e muitos dos possíveis nomes abriram mão em prol do projeto. “Entenderam que neste momento, para que a gente possa ter a certeza de que nós vamos ter uma cidade onde cada dia a gente tem mais orgulho de aqui morar, de aqui viver, de uma cidade que hoje tem orgulho e alegria de trazer um parente do interior, um parente, um amigo de qualquer lugar do Brasil, do mundo, que vem a nossa cidade e diz que essa cidade se transformou, que essa cidade é uma outra cidade”, afirmou
“E o resultado do trabalho desse time precisava ser coroado. E o resultado do trabalho desse time é coroado com a escolha de Ana Paula, a nossa pré-candidata vice-prefeita […] A partir de agora nós somos pré-candidatos. Vamos com fé em Deus, com a força do povo, vencer as eleições e, acima de tudo, guardar nessa cidade com muito amor. Um abraço, um beijo e fiquem com Deus”, anunciou.
Ana Paula Matos, por sua vez, agradeceu o apoio e afirmou que seu grupo político “é de humildade”. “O prefeito fez pesquisa, ouviu as pessoas, compreendeu que a rua dizia que o time que está ganhando não se mexe. Só então ele se apresentou à cidade como pré-candidato à reeleição. E que honra poder estar ao seu lado, com o apoio do meu partido, com o apoio de tantos partidos, mas sobretudo do povo de Salvador”, discursou a vice-prefeita.
Depois de pedir “pelo amor de Deus” para ser ouvido, acusado de morte de Marielle silencia em algumas perguntas
Após implorar “pelo amor de Deus”, por meio de um bilhete, ao ministro Alexandre de Moraes, para prestar seu depoimento, o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), acusado de ser mentor do assassinato da veradora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, se calou duas vezes durante sua oitiva de cerca de quatro horas, na Polícia Federal, nesta segunda-feira (03).
Primeiro, Rivaldo Barbosa se negou a responder sobre o suposto recebimento de propina numa operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, em 2012. A acusação foi feita pelo miliciano Orlando Curicica, próximo aos irmãos Brazão, que também está preso.
Em outro momento, o delegado também silenciou após os questionamentos acerca de duas empresas de segurança, de sua propriedade, sobre as quais a Polícia Federal aponta indícios de lavagem de dinheiro.
Segundo Rivaldo, seus advogados orientaram que ele ficasse calado em qualquer pergunta que não tivesse relação com a acusação da morte de Marielle Franco.
Rivaldo foi preso em março deste ano depois da delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa apontá-lo como mentor dos assassinatos da vereadora do PSOL e de seu motorista Anderson Gomes. A PF o apontou, em seu relatório final, como um dos três mandantes do assassinato da parlamentar.
Antes do início do depoimento, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) pediu que o depoimento fosse gravado em vídeo e áudio. Porém, seu pedido só foi aceito para a gravação em aúdio.
Base de Lula sente falta de nome forte para negociar, e governo minimiza derrotas no Congresso
No mesmo dia em que o presidente Lula (PT) comandou a primeira reunião de seu prometido novo modelo de relação com o Congresso, integrantes de bancadas aliadas repetiam nesta segunda-feira (3) um antigo diagnóstico. Segundo eles, falta alguém “empoderado” no Palácio do Planalto que garanta uma articulação política eficiente e, principalmente, o cumprimento dos acordos feitos.
Parlamentares reclamam desde o ano passado do que consideram uma falta de cumprimento de acordos por parte do Executivo nas votações.
Segundo esses políticos, a entrada de Lula no dia a dia da sua articulação é importante, mas, por ora, eles dizem não ver disposição do petista para isso. O governo, que minimiza as derrotas no Congresso, já prometeu azeitar a interlocução com congressistas anteriormente, mas as queixas continuam.
Em fevereiro, o petista recebeu o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e líderes da Casa para uma confraternização no Palácio da Alvorada e afirmou que isso se tornaria rotineiro —até agora, no entanto, não ocorreu novo encontro.
Em março, Lula também teve encontro do mesmo tipo com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e líderes partidários.
Na semana passada, o governo sofreu uma grande derrota no Congresso, quando deputados e senadores derrubaram vetos presidenciais com ampla margem de votos.
Três pautas de cunho ideológico marcaram a sessão com reveses ao governo: o fim das saidinhas de presos, um pacote de costumes incluído por bolsonaristas na prévia do orçamento e o veto de Jair Bolsonaro (PL) ao dispositivo que criminalizava “comunicação enganosa em massa”.
Horas após a sessão do Congresso, Lula reclamou com um líder do governo afirmando que, em sessões que tratam de temas considerados delicados, é preciso acionar os demais ministros da Esplanada.
Articuladores relatam terem acionado ministros, mas integrantes do governo e membros do Parlamento dizem que essa movimentação foi aquém da necessária.
Na reunião desta segunda, foi feito um diagnóstico da articulação política no Congresso e foram debatidas pautas prioritárias do Executivo a serem analisadas até o recesso parlamentar, entre elas a regulamentação da reforma tributária.
Após o encontro, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, tentou minimizar o fiasco afirmando que “nada do que aconteceu na sessão do Congresso Nacional surpreendeu os articuladores políticos do governo”.
“O presidente da República e a articulação política têm total noção realista do que é o perfil do Congresso Nacional e da centralidade dos nossos projetos da economia e da área social. E vamos continuar avaliando o resultado do desempenho e avanço a partir dessa pauta”, afirmou.
Padilha é um dos principais alvos dos congressistas da base de Lula. Além de Lira ter rompido relações com ele, o ministro é apontado por deputados e senadores como autor de acordos que não são cumpridos por outros ministros ou pelo presidente.
Além dele, formam o time da articulação de Lula o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), o líder no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o líder na Câmara, José Guimarães (PT-CE).
Um parlamentar relata, por exemplo, que na votação das saidinhas recebeu simultaneamente orientações díspares de alguns dos integrantes da articulação de Lula, um bate-cabeça que tem sido constante, afirmam congressistas.
Do lado do Planalto, há também um antigo diagnóstico, o de que a resistência a Padilha e as derrotas aplicadas ao governo buscam retomar o modelo de relação do governo Bolsonaro, que levou o centrão para o Palácio do Planalto e entregou ao grupo a condução política de sua gestão.
A esquerda tem tamanho minoritário na Câmara e no Senado, o que obrigou Lula a buscar formar sua base de apoio distribuindo ministérios a partidos de centro e de direita. União Brasil, PSD, MDB (com três ministérios cada um), PP e Republicanos (um ministério cada um) formam essa base, com 11 vagas no primeiro escalão do governo.
Um líder de partido da esquerda diz que o governo precisa cobrar especialmente as siglas do centrão que têm representantes na Esplanada, mas não entregam votos —e afirma que isso passa também por envolver os próprios ministros.
Ele também diz que há uma falta de reconhecimento do Planalto com as legendas da esquerda, que apoiam mais incisivamente as pautas do Executivo no Congresso, mas, na visão dele, não são prestigiadas.
Na avaliação de um interlocutor de Lula no Congresso, faltou empenho dos partidos de centro-direita na sessão do Congresso, mas também do próprio PT e siglas de esquerda. A leitura é que esses parlamentares ficaram acanhados diante da ofensiva da oposição sobre a pauta.
Diante desse diagnóstico, há a previsão de que Randolfe e Padilha se reúnam nesta semana com vice-líderes do governo no Congresso para mobilizar a base. O contexto político também deverá ser tratado em reunião semanal com vice-líderes da Câmara.
Apesar de parlamentares afirmarem que a entrada de Lula, caso de fato se concretize, tem potencial para melhorar a relação, integrantes dos partidos aliados afirmam que mesmo assim já há consolidado um cenário de derrotas nas chamadas pautas de costume, devido ao perfil majoritariamente conservador da maioria do Congresso.
Há também uma avaliação de que as bancadas de mais expressão do Congresso estão alinhadas à direita, como a ruralista e a ligada à segurança pública. Dessa forma, temas que sejam contrários ao posicionamento desses parlamentares não deverão prosperar.
Dessa forma, congressistas defendem que a prioridade do governo deve se manter na agenda social e econômica. Eles dizem que todos os projetos da pauta econômica que foram enviados pelo Executivo ao Congresso Nacional foram aprovados.
O ministro Fernando Haddad (Fazenda) é apontado por eles em tons mais positivos, como uma pessoa que até agora tem se mostrado confiável no cumprimento dos acordos firmados.
Buscando reeleição, Bruno Reis segue à frente na corrida pela prefeitura
Logo após confirmar que será candidato à reeleição para a prefeitura de Salvador, Bruno Reis (União Brasil) se viu novamente na liderança da nova pesquisa para as eleições deste ano.
No levantamento, realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgado pelo Bahia Noticias, nesta terça-feira (04), o gestor soteropolitano aparece com 64% das intenções de voto, à frente do atual vice-governador, Geraldo Jr. (MDB), que alcançou 11% das intenções.
Os políticos são seguidos por Kleber Rosa (PSOL), com 3,8%, e Victor Marinho (PSTU), com 3,3% das intenções de voto, enquanto 11,6% dos entrevistados disseram que não votariam em nenhum dos nomes colocados e 6,4% não souberam ou não responderam. A pesquisa ouviu 800 pessoas entre os dias 29 de maio e 3 de junho.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou nesta segunda-feira, 3, que o estado precisa de um programa do governo federal “nos próximos dias”, para pagar parte dos salários no estado e, desta forma, evitar possíveis demissões, frente às enchentes que atingiram a região.
“Sobre benefício de manutenção de emprego e renda, é essencial que venha nos próximos dias algum tipo de ação do governo federal. Isso ainda não foi endereçado, e nós temos muito receio sobre o que possa significar em demissões que são evitáveis, a não ser que o governo federal entre em campo para garantir o pagamento de parte dos salários”, afirmou Eduardo Leite.
O governador destacou que se reunirá com parlamentares da bancada federal do estado para tratar do assunto. Ele disse ainda que pedirá compensações à perda de arrecadação.
Para Eduardo Leite, o Rio Grande do Sul pode ter uma perda de arrecadação de R$ 10 bilhões. “O governo do estado e as prefeituras terão uma queda de arrecadação nos meses de maio, junho, julho e agosto que vai ser muito forte. A gente projeta uma perda de arrecadação que pode chegar aos 10 bilhões de reais para o estado até o final do ano”, falou
Segundo balanço atualizado da Defesa Civil do Rio Grande Sul, o estado contabiliza 172 mortos por causa das enchentes; 806 feridos e 42 desaparecidos. Ao todo, 579.457 pessoas foram desalojadas e 37.154 estão vivendo em abrigos. Dos 497 municípios gaúchos, 475 foram afetados pelas enchentes.
Claudia Sheinbaum é 1ª mulher eleita presidente do México, diz projeção oficial
Claudia Sheinbaum vai suceder a Andrés Manuel López Obrador, seu padrinho político, e será a primeira mulher na história a governar o México, indica projeção oficial dos resultados. Às 3h de Brasília (0h local), o Instituto Nacional Eleitoral (INE), órgão autônomo, estimou que a governista teria de 58,3% a 60,7% dos votos. Na sequência, a opositora Xóchitl Gálvez marcaria entre 26,6% e 28,6%.
É a chamada contagem rápida do INE, um procedimento previsto no regramento eleitoral mexicano no qual uma equipe técnica projeta o resultado com base em uma amostra da contagem obtida nas “casillas”, como são chamados os centros de votação. A confiança é de 95%.
Se confirmados esses números, Sheinbaum seria a presidente eleita com mais votos na história do país.
Os opositores Xóchitl e Jorge Álvarez Máynez, azarão do Movimento Cidadão que teria obtido em torno de 10% reconheceram a derrota.
A noite no país foi marcada por tensão e cansaço dos mexicanos. O órgão eleitoral remarcou por três vezes o prazo estimado para divulgar sua contagem rápida, a baliza para os resultados até que daqui a alguns dias se divulguem as cifras oficiais desta votação.
Sem dar qualquer justificativa, o silêncio alimentou especulações das mais diversas e despertou críticas. O INE é um dos órgãos atacados por López Obrador, que diz que o instituto opera para a oposição.
O pleito consolidado neste domingo (2) foi marcado por alta violência em várias regiões do país e ao menos 37 aspirantes a cargos políticos assassinados desde o início do ano, segundo levantamento atualizado da organização independente Laboratório Eleitoral.
Sheinbaum aparecia com larga vantagem na maior parte das pesquisas de intenção de voto. Ela herdou o capital político de AMLO, maneira como o presidente é conhecido, ainda que seu carisma pessoal esteja muito distante do que goza o líder populista.
Se confirmados os resultados da contagem rápida, haverá frustração geral com os índices de participação, estimados entre 60% e 61,5%. Esperava-se que estas eleições tivessem recorde de comparecimento. Em 2018, nas últimas presidenciais, a cifra superou 63%.
No final da noite no horário local, já madrugada em Brasília, acusações de fraude na capital começaram a surgir após relatos de que o sistema do Instituto Eleitoral da Cidade do México havia saído do ar por curto período de tempo por um ciberataque. A reportagem falou com equipe da presidente do órgão, que disse que a informação era falsa.
Ainda assim, era extremamente lenta a contagem de votos na capital mexicana. Após mais de cinco horas do início da divulgação dos resultados parciais, haviam sido computadas somente 10,5% das atas.
A provável próxima ocupante do Palácio Nacional terá desafios em diversas frentes. Na economia, vê-se diante de um momento-chave do nearshoring, a estratégia de aproximar a cadeia de produção do consumidor final, no caso os Estados Unidos, em um movimento impulsionado pela Guerra Fria 2.0 de Washington com a China.
AMLO não desenvolveu um plano industrial, e uma interpretação comum é a de que houve “sorte conjuntural” para o México se tornar o principal exportador para os EUA. Agora, para analistas, é preciso uma política concreta para o setor se manter no patamar atual.
Neste sentido, ela deu acenos importantes em seu discurso de vitória ao mercado privado, desanimado com o protecionismo de AMLO, e às energias renováveis Sheinbaum tem doutorado em engenharia ambiental. “Vamos garantir o investimento privado nacional e estrangeiro, garantindo sempre o respeito ao meio ambiente.”
No campo da segurança pública, Sheinbaum herda o sexênio com mais homicídios da história mexicana, ainda que as cifras tenham caído ligeiramente no último ano. López Obrador apostou na militarização como saída. Mais do que isso, inflou o poder e a verba dos militares, dando a eles o controle de aeroportos e de obras de infraestrutura. Até aqui, Sheinbaum indicou continuidade nesse sentido.
A própria campanha foi um demonstrativo do poder dos cartéis do narcotráfico. O nível de violência política foi recorde, e mais de 200 centros de votação não puderam funcionar por temor de ataques.
A imigração, tema sempre presente na relação com os EUA, ganhou mais peso diante do aumento do fluxo de quem tenta cruzar a fronteira e da maior repressão a esse movimento. Nunca antes o México prendeu tantos imigrantes foram 481 mil de janeiro a abril deste ano, alta de 230% em relação ao mesmo período de 2023.
A eleita representa uma tríade de partidos da situação: o Morena, uma das siglas mais jovens, fundada em 2011 por Obrador; o PT (Partido do Trabalho) e o PVEM (Partido Verde Ecologista). A reeleição não é permitida no México, o que força a saída de AMLO do poder.
Obrador foi um dos primeiros a se pronunciar sobre a vitória de sua candidata. Em um vídeo, disse estar orgulhoso do México.
Sheinbaum derrota a ex-senadora Xóchitl Gálvez, indígena que se tornou uma empresária de sucesso e representava uma histórica coalizão de oposição formada pela tríade de partidos mais antigos do México: PRI (Partido Revolucionário Institucional), de 1929 e que governou ininterruptamente até 2000; PAN (Partido Ação Nacional), de 1939; e PRD (Partido da Revolução Democrática), de 1989.
Ainda que em sua plataforma de “Quarta Transformação”, como foi apelidado o plano de governo, Sheinbaum prometa uma gestão de total continuidade ”levaremos ao segundo nível os avanços consagrados por AMLO”, disse no ato de encerramento de campanha, a analista Sofía Fuentes diz que a eleita deve operar um “governo descafeinado”.
É uma referência à postura arredia de AMLO em alguns setores. Ele conduzia ataques reiterados à imprensa e a organizações sociais e operou um plano protecionista, notadamente na área energética, que tentou concentrar nas mãos de estatais.
Para Fuentes, da consultoria Prospectiva, Sheinbaum demonstra maior possibilidade de abertura privada, menos ataques a opositores e maior investimento em infraestrutura para catapultar o nearshoring.
A própria eleita afirmou isso. No discurso de vitória, disse que, por convicção, sua plataforma “nunca faria um governo autoritário ou repressor”.
A grande dúvida sobre a nova gestão é sobre qual influência López Obrador terá no novo governo e se haverá um distanciamento entre padrinho e apadrinhada.
“A narrativa de Sheinbaum pode seguir semelhante à de AMLO, mas nos parece que o operacional tende a desviar um pouco”, afirma.
Nem Sheinbaum nem Xóchitl empolgaram os movimentos organizados de mulheres, para os quais seus planos de governo eram demasiado comedidos na agenda de gênero. O México tem altas taxas de violência contra a mulher.
Entre outras coisas, a candidata de López Obrador defende que o combate à violência doméstica seja feito com a retirada do agressor da casa da família e que haja um apoio financeiro mensal para mulheres de 60 a 64 anos, idade anterior à aposentadoria.
Durante o domingo, a votação ocorreu sob relativa tranquilidade em algumas regiões, como a capital, mas com casos de violência armada em outros. Longas filas eram observadas nas “casillas”, os locais onde estavam instaladas as urnas e que, em média, tinham 750 eleitores registrados cada.
“Lava Jato foi um projeto de tomar o poder no Brasil”, diz Zé Dirceu em entrevista
Pronto para um maratona de compromissos em Salvador, o ex-ministro da Casa civil no governo Dilma, Zé Dirceu, foi o convidado do programa Isso é Bahia, da A TARDE FM, nesta segunda-feira, 3, onde falou sobre a extinção de ações da Lava Jato contra si no Supremo Tribunal Federal (STF) e se retornará para a vida pública.
Por 3 a 2, a segunda turma do STF aceitou o habeas corpus da defesa do ex-ministro e o absolveu das condenações, determinando a prescrição da punibilidade aplicada. Ele havia sido condenado pelo TRF4 a oito anos e dez meses de prisão.
“Esse processo foi feito para me prender. Me prenderam três vezes e o Supremo me soltou as três, porque as prisões eram ilegais. Eu disse ao Moro: ‘Eu não tenho nada a ver, o que estou fazendo aqui?’ Tanto não tinha nada a ver que a empresa [citada no processo de corrupção] foi absolvida. A Petrobras, consultada no processo, disse que não houve sobrepreço, não houve influência externa e não houve fraude. Por que eu fui condenado? Para me prender, porque queriam que eu delatasse o Lula”, explicou Dirceu.
“A Lava Jato foi um projeto político de tomar o poder no Brasil. Foi um projeto para destruir a indústria de prestação de serviços, que era uma das melhores do mundo. Se andasse pela América Latina, de 2006 a 2012, como eu andei, levando as empresas brasileiras, e eles criminalizar tudo isso. Qual o país que criminaliza um ex-ministro, um empresário, um presidente que vai abrir mercados para as empresas do país. Eu abri vários mercados como ferrovias, rodovias, hidrelétricas, aeroportos, refinarias…era o Brasil quem construía, hoje não é mais”, pontuou.
Zé Dirceu cumpre agenda em Salvador para um bate-papo sobre Democracia, Soberania Nacional, Transição Energética, Eleições 2024, junto à Federação Única dos Petroleiros (FUP). Evento será às 15h, no Auditório do Real Classic Bahia Hotel, na Pituba.
O ex-ministro também discute estratégias para as eleições municipais e concederá coletiva de imprensa às 17h, na sala Luís Cabral, da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).