Termo “buraco negro” é racista, diz Anielle Franco

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou nesta 4ª feira (1º.nov.2023) que o termo “buraco negro” –que define uma região no espaço com campo gravitacional tão intenso que também absorve a luz– é “racista”. Outro termo citado pela ministra como ofensivo foi o verbo “denegrir”.

“Denegrir é uma palavra que o movimento negro e que as pessoas que têm letramento racial não usam de forma nenhuma. Ou, por exemplo: ‘saímos desse buraco negro’. A gente escuta muito isso”, declarou Anielle durante o programa “Bom dia, Ministro”, da EBC (Empresa Brasil de Comunicação).

publicidade
Segundo ela, quando ouve alguém usando termos considerados ofensivos, tenta alertar o interlocutor. “Hoje existem muitas palavras que a gente tem tentado muito, sempre que a gente pode, comunicar de maneira bem tranquila e dizer: ‘Olha, essa palavra é racista’”, afirmou.

Para a ministra, ações como essa fazem parte de um “letramento racial” da sociedade. Ela foi a 1ª convidada do programa para dar início ao mês da Consciência Negra, celebrado em novembro.

“A gente precisa pensar nesse letrar […] O letrar que vai desde uma comunicação antirracista, como nós temos feito com a Secom para novembro, um letrar que passa pela Lei 10.639 [que inclui no currículo escolar o ensino da história e cultura afro-brasileira], um letrar que passa por fortalecermos as leis de cotas”, afirmou.

Durante a entrevista, Franco também defendeu ser necessário repensar as “formas de reparação” a pessoas que sofrem esse tipo de violência para que os agressores comecem a “sentir no bolso” por atos de racismo.

“Só pedir desculpa, ou fazer uma carta de próprio punho dizendo: ‘me desculpe por ter lhe xingado’, ainda não é suficiente. As pessoas precisam de fato começar a sentir no bolso, precisam começar a entender que existem pessoas negras que são seres humanos”.

Related posts

Mutirão da Saúde da Mulher acontece neste sábado (21) no Multicentro Liberdade

Na ALBA, Samuel Jr. afirma que escolha de trans para presidência da Comissão da Mulher na Câmara é retrocesso

Trump volta a falar em conquistar Cuba, que vive crise: ‘Posso fazer o que eu quiser’