Ramagem coloca Bolsonaro na berlinda em escândalo de gravação

A gravação que expõe a tentativa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de blindar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conhecido como o filho ‘01’, sobre um suposto esquema de ‘rachadinha’, foi feita com aval do ex-mandatário. A informação foi dada pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal, Alexandre Ramagem.

“Essa gravação não foi clandestina. Havia o aval e o conhecimento do presidente. A gravação, portanto, seria para registrar um crime, um crime contra o presidente da República. Só que isso não aconteceu e a gravação foi descartada”, disse o parlamentar, em vídeo compartilhado no X (antigo Twitter).

Sem citar os nomes, Ramagem afirma que os áudios foram gravados após a confirmação de “uma pessoa que viria na reunião que teria contato com o governador do Rio [Wilson Witzel]” e apresentaria uma proposta ao ex-mandatário “nada republicana”.

Segundo as gravações obtidas pela Polícia Federal (PF), Bolsonaro afirmou que o ex-governador do Rio prometeu ajudar no caso, em troca de um cargo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Já sobre a presença das advogadas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no encontro, Ramagem afirmou que as mulheres estavam fazendo uma espécie de ‘alerta’ contra a Receita Federal.

“As advogadas vieram e apresentaram possíveis irregularidades que poderiam estar acontecendo na Receita Federal. No caso, relatório que estaria acontecendo na inteligência financeira

As estratégias de blindagem a Flávio Bolsonaro também foram negadas pelo parlamentar. De acordo com o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o ex-presidente recusou a negociação da defesa do seu filho para tratar o caso com o chefe da Receita.

“Quando o presidente se manifestou, ele sempre informou que não queria favorecimento, sempre manifestou que não queria jeitinho, muito menos tráfico de influência”, disse Ramagem.

A gravação foi feita em agosto de 2020 no Palácio do Planalto em reunião com o então ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e duas advogadas de Flávio, além dos citados acima.

O áudio estava sob posse da Polícia Federal, captado através do notebook de Ramagem, e faz parte do inquérito que apura a suposta espionagem ilegal praticada dentro da Abin. A gravação teve o sigilo derrubado pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, nesta segunda-feira, 15.

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