Itapema aposta em tecnologia inovadora para erguer prédio mais alto do Brasil

Itapema (SC) — Conhecida pelo crescimento acelerado do mercado imobiliário, a cidade de Itapema entrou definitivamente no mapa da engenharia brasileira ao iniciar a construção do que será o prédio mais alto do Brasil, um projeto que adota tecnologias inovadoras baseadas em estruturas metálicas e sistemas construtivos avançados. A obra marca uma mudança de paradigma na construção civil nacional e reacende o debate sobre modernização, produtividade e qualificação técnica.

A tecnologia empregada, segundo especialistas, já é amplamente utilizada há décadas em países como os Estados Unidos, onde edifícios altos, hospitais, centros comerciais e até residências unifamiliares fazem uso intensivo de estruturas metálicas, pré-fabricação e planejamento digital para reduzir prazos e custos.

Para o técnico em edificações e planejamento Cleone de Araújo Corrêa, fonte técnica da reportagem, o projeto de Itapema é simbólico porque demonstra que o Brasil tem condições de executar obras de alto nível tecnológico — desde que invista de forma consistente em capacitação.

“Esse tipo de construção não é novidade no mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, estruturas metálicas são usadas há muitos anos justamente porque são mais rápidas, mais limpas e mais econômicas no resultado final. O grande desafio do Brasil não é tecnológico, é de capacitação técnica”, afirma Cleone.

Tecnologia que reduz prazo e custo

O uso de estruturas metálicas permite que grande parte da obra seja industrializada, com elementos produzidos fora do canteiro e montados no local com precisão. Isso reduz interferências climáticas, desperdício de material e retrabalho — fatores que historicamente encarecem e atrasam obras no país.

Segundo especialistas ouvidos na reportagem original que baseia esta matéria, a adoção dessa tecnologia também aumenta o controle de qualidade e a previsibilidade do cronograma, ponto crucial em empreendimentos de grande porte. Em mercados mais maduros, o aço estrutural é visto não como custo extra, mas como ferramenta para reduzir o valor global da obra.

Cleone reforça esse ponto ao destacar que o custo deve ser analisado de forma sistêmica.
“Quando você olha apenas o preço do material, pode parecer mais caro. Mas quando analisa prazo, mão de obra, desperdício e manutenção futura, a estrutura metálica se torna mais barata e eficiente”, explica.

Modelo consolidado nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, edifícios residenciais, comerciais e industriais utilizam há décadas sistemas metálicos combinados com planejamento digital, como o BIM (Building Information Modeling). Esse modelo permite simular toda a construção antes do início da obra física, antecipando conflitos e otimizando o uso de materiais.

De acordo com Cleone, esse padrão só se tornou dominante porque houve investimento contínuo em formação técnica.


“O engenheiro, o técnico e o montador precisam falar a mesma linguagem. Lá fora, isso foi construído com cursos, certificações e prática. Aqui, ainda precisamos ampliar muito esse acesso”, avalia.

De obras monumentais a edificações comuns

Um dos pontos centrais da reportagem é que a tecnologia empregada no prédio de Itapema não se limita a obras icônicas. As mesmas soluções podem — e já começam a — ser aplicadas em obras residenciais comuns, como casas e edifícios de médio porte.

“As pessoas associam esse tipo de tecnologia apenas a grandes arranha-céus, mas ela é totalmente viável para residências, escolas e prédios comerciais. O que falta é escala, e a escala só vem com capacitação”, destaca Cleone.

Fontes técnicas do setor da construção civil ouvidas pela reportagem também apontam que a disseminação desse modelo pode ajudar a enfrentar gargalos históricos do setor, como déficit habitacional, baixa produtividade e atrasos crônicos em obras públicas e privadas.

Um sinal de mudança

Ao apostar em tecnologia construtiva avançada para erguer o prédio mais alto do país, Itapema se transforma em vitrine de um novo momento da engenharia brasileira. Para especialistas, o projeto mostra que o Brasil não está atrasado em acesso à tecnologia, mas ainda precisa avançar na formação de profissionais para torná-la regra, e não exceção.

“O futuro da construção civil passa por tecnologia e capacitação. Quando esses dois pontos andam juntos, a obra anda mais rápido, custa menos e entrega mais qualidade”, conclui Cleone.

A experiência de Itapema pode, assim, servir não apenas como marco arquitetônico, mas como referência técnica para um país que precisa construir mais — e melhor — nos próximos anos.

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