Desfile pró-Lula alimenta direita, e aliados veem governo na defensiva em estratégia nas redes sociais

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista para TV Aratu. Salvador - BA. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Após a repercussão negativa do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula (PT), aliados do presidente avaliam que o governo passou para a defensiva nas redes sociais, enquanto a direita recuperou a iniciativa.

A apresentação no Carnaval contou com a audiência do petista no Sambódromo e ironizou conservadores, apresentando alegorias do que seriam famílias conservadoras em latas. A imagem tem sido usada por adversários de Lula para afastá-lo ainda mais do eleitorado evangélico.

O revés ocorre após avaliação de que, em 2025, a gestão do petista havia conseguido equilibrar a disputa nas redes sociais, tradicionalmente dominadas pelo bolsonarismo, falando sobre a isenção do Imposto de Renda, justiça tributária e o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

À época, petistas inundaram as plataformas digitais com postagens nessa linha e com críticas ao Congresso, que resistia a aprovar medidas para taxar bets e bilionários.

A avaliação entre os governistas é que a mobilização da direita nas redes alimentou a repercussão negativa do desfile. Os aliados do presidente constataram, em levantamentos de monitoramento nas redes, que o tema colocou o governo em posição de desvantagem.

Entre os adversários que criticaram Lula pelo episódio está o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deverá enfrentar o petista na eleição presidencial. Ele afirmou que irá propor ação contra “os crimes do PT na Sapucaí”.

As frentes parlamentares evangélica e católica também anunciaram o pedido de medidas judiciais contra a escola de samba.

Um tracking —tipo de pesquisa de opinião menos preciso, mas mais rápido, feito para detectar tendências no debate público— apontou uma má repercussão do caso entre eleitores e alarmou governistas.

Articuladores políticos do Executivo acreditam que o desgaste nas redes sociais poderá ser materializado a partir da semana que vem no Congresso Nacional na forma de requerimentos de informação e tentativas de levar ministros ao Legislativo para falar sobre o desfile.

Os dois mecanismos são comumente usados por opositores para prolongar um debate que prejudica o governo de turno junto à opinião pública.

Na quarta-feira (18), após a Acadêmicos de Niterói ficar em último lugar na apuração do Carnaval e voltar para a divisão inferior, adversários do presidente passaram a falar em “Lula rebaixado” e inundaram as redes com críticas à menção das família conservadoras no desfile.

Aliados do petista foram às redes sociais para tentar conter os danos potenciais principalmente sobre o eleitorado evangélico.

“A retratação pejorativa e grotesca de uma escola de samba em relação às famílias evangélicas não faz jus ao respeito, carinho e consideração com que o presidente Lula sempre tratou o povo evangélico. É preciso ter respeito à fé, algo que Lula sempre demonstrou ter”, escreveu a senadora Eliziane Gama, que é evangélica, no X, na noite de quarta-feira.

O presidente do PT, Edinho Silva, eximiu Lula de responsabilidade sobre o conteúdo do desfile. “Tentar desgastar o presidente politicamente por conta das escolhas de alegorias da Acadêmicos de Niterói chega às raias do ridículo”, disse.

A repercussão negativa também reforçou o sentimento de alívio de governistas tiveram nos últimos dias com a decisão da primeira-dama, Janja Lula da Silva, de não participar da apresentação.

A avaliação é que, se ela tivesse desfilado, como era previsto, o desgaste provavelmente seria maior. Janja assistiu ao desfile no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro ao lado do presidente.

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